Tropes literários

Tropes literários são temas ou personagens já conhecidos e recorrentes em obras narrativas. Dois exemplos são o amor à primeira vista e o personagem com identidade secreta.

Quadro explica o que são tropes literários e dá exemplos.
Os tropes literários servem para atrair o público leitor.
Crédito da Imagem: Isa Galvão | Brasil Escola
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Tropes literários são elementos recorrentes em obras literárias, como temáticas que sempre são exploradas ou personagens arquetípicos. É um recurso bastante utilizado em literatura de entretenimento, pois os leitores desse tipo de obra já estão familiarizados com tais tropes e os apreciam.

Existem diversos tropes literários, como, por exemplo: os inimigos que se tornam amantes, os amigos que se apaixonam um pelo outro, o namoro de mentira que acaba se tornando de verdade, personagens com personalidades opostas que se apaixonam, amor à primeira vista, entre outros.

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Tópicos deste artigo

Resumo sobre tropes literários

  • Os tropes literários são elementos recorrentes, que se repetem em diversas obras, como temáticas ou personagens.

  • Existem diversos tropes literários, mas os principais são:

    • de inimigos para amantes: os personagens que se odeiam, acabam se apaixonando um pelo outro;

    • de amigos para amantes: os amigos acabam se apaixonando um pelo outro;

    • namoro de mentira: duas pessoas decidem forjar um namoro e acabam se apaixonando de verdade;

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    • rabugento x raio de sol: dois indivíduos opostos (rabugento ou introvertido x carismático ou extrovertido) terminam juntos;

    • amor à primeira vista: os protagonistas apaixonam-se quando se veem pela primeira vez;

    • segunda chance: um relacionamento malsucedido no passado é retomado em uma segunda chance para esse amor;

    • vingança amorosa: um dos integrantes do par romântico busca vingança por um mal que o parceiro lhe fez no passado;

    • amor proibido: alguma coisa impossibilita ou dificulta a realização do amor;

    • triângulo amoroso: três pessoas estão envolvidas amorosamente, e às vezes um dos integrantes do trio precisa escolher com quem ficar;

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    • vilão que desperta simpatia: apesar de ser vilão, o personagem tem um motivo para agir como age ou uma personalidade que desperta empatia de leitores;

    • mocinha em perigo: uma mulher jovem e bonita, em perigo, deve ser salva por um herói;

    • cientista maluco: um homem da ciência, inteligente e genial, mas que não respeita os limites éticos e, muitas vezes, é seduzido pelo poder;

    • só uma cama: dois personagens são obrigados a dividir uma cama, o que acaba gerando intimidade entre eles;

    • salvação pelo amor: ao amar alguém, um personagem corrompido acaba se regenerando e se transformando em alguém melhor;

    • amor não correspondido: um dos personagens ama alguém em segredo, alguém que não corresponde a esse amor;

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    • identidade secreta: um personagem assume outra identidade e oculta, por algum motivo, sua identidade original;

  • Os tropes literários servem para atrair o público leitor, o qual já está familiarizado com tais tropes comuns à literatura de entretenimento.

O que são tropes literários?

Tropes literários são elementos populares recorrentes em obras literárias. São muito comuns em romances de entretenimento, já que esse tipo de narrativa busca trabalhar com coisas que atraem o público leitor. Assim, um trope está relacionado a ideias, frases ou imagens muito usadas nas obras.

Na literatura, o conceito de “trope literário” está mais vinculado a determinadas temáticas muito utilizadas em obras da indústria cultural. Também está associado a personagens arquetípicos, ou seja, aqueles personagens recorrentes em obras devido às suas características específicas já bastante conhecidas por leitores.

Por exemplo, o vilão irônico, o cientista maluco, a mocinha em perigo são personagens que já fazem parte da cultura popular. Já em relação às temáticas, um dos tropes mais conhecidos é o dos inimigos que se tornam amantes. Você já deve ter lido um livro ou mesmo assistido a um filme em que isso acontece, não é mesmo?

No próximo tópico, vou falar dos principais tropes que são utilizados na literatura. E também vou mencionar obras literárias que apresentam tais tropes. Então, vamos lá!

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Quais são os tropes literários?

  • De inimigos para amantes (enemies to lovers)

Duas pessoas que se odeiam acabam se apaixonando no decorrer da trama. Isso acontece em Orgulho e preconceito, da escritora inglesa Jane Austen, em que Elizabeth Bennet e o senhor Darcy vivem em conflito. E também em Norte e Sul, obra da escritora inglesa Elizabeth Gaskell, que mostra a animosidade entre os personagens Margaret e Thornton.

Capa de Orgulho e Preconceito, da editora Pandorga, um exemplo de obra “enemies to lovers”.|1|
Capa de Orgulho e Preconceito, da editora Pandorga, um exemplo de obra “enemies to lovers”.|1|
  • De amigos para amantes (friends to lovers)

Dois amigos que se transformam em amantes. Um exemplo é o romance Emma, de Jane Austen, em que os amigos Emma e George acabam se envolvendo romanticamente. Já um best-seller contemporâneo é o livro Ele, da estado-unidense Sarina Bowen e a canadense Elle Kennedy, que fala da amizade que se transforma em amor entre os amigos Ryan e James.

Capa de Emma, da editora Antofágica, um exemplo de obra “friends to lovers”.|2|
Capa de Emma, da editora Antofágica, um exemplo de obra “friends to lovers”.|2|
  • Namoro de mentira (fake dating)

Duas pessoas, por algum motivo da trama, decidem fazer de conta que estão namorando, mas acabam se apaixonando de verdade. Isso acontece em A hipótese do amor, livro da escritora italiana Ali Hazelwood, cujos amantes de mentirinha-verdade são Adam e Olive. Já o livro Para todos os garotos que já amei, da estado-unidense Jenny Han, temos o namoro, a princípio, “de mentirinha”, entre Lara e Peter.

Capa de Para todos os garotos que já amei, da editora Intríseca, um exemplo de obra “fake dating”.|3|
Capa de Para todos os garotos que já amei, da editora Intrínseca, um exemplo de obra “fake dating”.|3|
  • Rabugento x raio de sol (grumpy x sunshine)

A história romântica ocorre entre um personagem rabugento ou introvertido e outro carismático ou extrovertido. A hipótese do amor, mencionado há pouco, utiliza o trope “grumpy x sunshine”. No romance Aristóteles e Dante descobrem os segredos do Universo, do estado-unidense Benjamin Alire Sáenz, também ocorre tal trope, na relação entre o introspectivo Ari e o extrovertido Dante.

Capa de A hipótese do amor, da editora Arqueiro, um exemplo de obra “grumpy x sunshine”.|4|
Capa de A hipótese do amor, da editora Arqueiro, um exemplo de obra “grumpy x sunshine”.|4|
  • Amor à primeira vista (“Insta-love”)

O amor entre o casal surge no momento em que o par se encontra pela primeira vez. Isso ocorre em Iracema, do escritor brasileiro José de Alencar. A indígena Iracema e o português Martim apaixonam-se quando se encontram pela primeira vez. Outro exemplo é a peça teatral Romeu e Julieta, do dramaturgo inglês William Shakespeare, em que Romeu e Julieta, membros de famílias rivais, apaixonam-se perdidamente à primeira vista.

Capa de Iracema, da editora Ática, um exemplo de obra “insta-love”.
Capa de Iracema, da editora Ática, um exemplo de obra “insta-love”.
  • Segunda chance (second chance)

Quando um relacionamento do passado tem uma nova chance. Se não deu certo antes, pode finalmente dar certo agora. E olha ela de novo! A rainha dos tropes. Estou falando de Jane Austen. Em seu romance Persuasão, a personagem Anne reencontra Frederick, com quem, no passado, ela rompeu o noivado devido a questões sociais.

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Capa de Persuasão, da editora Companhia das Letras, um exemplo de obra “second chance”.|5|
Capa de Persuasão, da editora Companhia das Letras, um exemplo de obra “second chance”.|5|

Senhora, romance de José de Alencar, conta a história de Aurélia Camargo. No passado, ela foi abandonada por Fernando Seixas, por questões sociais. Ao enriquecer, ela reencontra Seixas e consegue se casar com ele. Mas, no meio de tudo isso, há um pequeno detalhe, que conto agorinha mesmo.

  • Vingança amorosa

Quando um dos integrantes do casal tem o intuito de se vingar de seu par romântico. Lembra que prometi que contaria o pequeno detalhe do romance Senhora? Pois é a vingança. Aurélia vai se vingar por ter sido abandonada por Seixas. Rica, humilhará bastante o marido, para, enfim, o casal ter o tal do final feliz.

E como não falar do famoso romance inglês O Morro dos Ventos Uivantes, de Emily Brontë? Heathcliff, humilhado pela família de sua amada Catherine e sendo preterido por ela, acaba se vingando de todos, de forma a causar o sofrimento de sua amada e dele próprio.

Capa de O Morro dos Ventos Uivantes, da editora Darkside, um exemplo de obra com a trope da vingança amorosa.|6|
Capa de O Morro dos Ventos Uivantes, da editora Darkside, um exemplo de obra com a trope da vingança amorosa.|6|
  • Amor proibido

Está presente em histórias de amor impossível, já que, por algum motivo, há alguma proibição que dificulta a realização do amor. De novo, temos como exemplo Romeu e Julieta, pois o casal não pode ficar junto porque suas famílias se odeiam.

Capa de Romeu e Julieta, da editora Companhia das Letras, um exemplo de obra de “amor proibido”.|7|
Capa de Romeu e Julieta, da editora Companhia das Letras, um exemplo de obra de “amor proibido”.|7|

Outro exemplo é o romance Carol, da escritora estado-unidense Patricia Highsmith. Nessa obra, Therese e Carol apaixonam-se. Porém, há empecilhos a esse amor. Os dois principais são: o fato de serem duas mulheres em uma sociedade conservadora e o fato de elas pertencerem a classes sociais diferentes. Porém, nem sempre uma história com amor proibido tem um final triste.

  • Triângulo amoroso

Quando há um envolvimento amoroso entre três pessoas. Na literatura brasileira, o suposto triângulo amoroso mais famoso é entre Bentinho, Capitu e Escobar, no romance Dom Casmurro, do grande escritor brasileiro Machado de Assis. A genialidade de Machado de Assis levou tal escritor a criar uma obra sobre a qual não se pode afirmar se realmente houve traição ou se o triângulo amoroso é apenas uma criação da mente ciumenta de Bentinho.

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Capa de Dom Casmurro, da editora Princips, um exemplo de obra de “triângulo amoroso”.|8|
Capa de Dom Casmurro, da editora Princips, um exemplo de obra de “triângulo amoroso”.|8|
  • Vilão que desperta simpatia

Personagem cuja maldade tem uma justificativa ou ele apresenta características que despertam a simpatia de quem lê a obra. Por exemplo, ele pode ter algum valor admirável, como lealdade ou amor, ou mesmo sentimentos muito humanos. O principal exemplo é o monstro de Frankenstein, romance da escritora inglesa Mary Shelley.

Capa de Frankentstein, da editora Lafonte, um exemplo de obra de “triângulo amoroso”.|9|
Capa de Frankenstein, da editora Lafonte, um exemplo de obra de “triângulo amoroso”.|9|

Suas ações más, como assassinato, são justificadas por sua revolta pela forma como foi criado e pela rejeição da sociedade. Como não compreender o personagem e se compadecer dele? Já Tom Ripley, do romance O talentoso Ripley, de Patricia Highsmith, é um embusteiro e assassino, mas o leitor acaba criando certa cumplicidade com o simpático criminoso. Isso mesmo! Ripley é um sedutor, somos seduzidos por ele.

  • Mocinha em perigo

Esse é um trope bastante clássico e consiste na presença de uma personagem jovem e bela, exposta a uma situação de risco, de forma que precisa ser salva por um herói. Apesar disso, está ultrapassado, já que os tempos, felizmente, mudaram, e as mulheres podem ser vistas como donas do próprio destino e não mais seres fragilizados dependentes de um herói.

Esse tipo de trope é muito comum em contos de fadas, como: Branca de neve (salva, ao final, pelo príncipe, depois de ser perseguida pela Rainha Má) e A bela adormecida (salva pelo príncipe, após ser condenada pela Fada Má). No Brasil, no romance A escrava Isaura, de Bernardo Guimarães, a protagonista é salva por seu amado Álvaro.

Capa de A escrava Isaura, da editora L&PM, um exemplo de obra no estilo “mocinha em perigo”.|10|
Capa de A escrava Isaura, da editora L&PM, um exemplo de obra no estilo “mocinha em perigo”.|10|
  • Cientista maluco

Um homem da ciência, inteligentíssimo, mas que ultrapassa os limites éticos, em busca de conhecimento e poder. Novamente, cito Frankenstein, em que o cientista Victor Frankenstein, apesar de não ter atitudes de um louco estereotipado, com risos descontrolados e olhar insano, ultrapassa todos os limites na criação de um monstro.

No Brasil, o principal exemplo é o personagem Simão Bacamarte, da novela O Alienista, do escritor Machado de Assis. Nessa obra, um cientista passa a considerar todo o mundo louco ao ver loucura em cada gesto cotidiano. No final, ele conclui que o louco é ele. E não é que ele tem razão?

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Capa de O Alienista, da editora L&PM, um exemplo de obra no estilo “cientista maluco”.|11|
Capa de O Alienista, da editora L&PM, um exemplo de obra no estilo “cientista maluco”.|11|
  • Só uma cama

Por algum motivo, dois personagens precisam dividir uma cama, o que acaba os tornando íntimos. É o que ocorre em Teto para dois, romance da autora inglesa Beth O’Leary. Tiffy e Leon compartilham um apartamento e a mesma cama. Como ele trabalha à noite, só usa a cama durante o dia.

Os personagens de Teto para dois se comunicam por meio de post-its (notas adesivas). Já em A hipótese do amor, que já mencionei acima, a aluna de doutorado Olive Smith e seu professor Adam Carlsen, em determinado capítulo da obra, são obrigados a dividir um quarto de hotel. Nessa ocasião, o trope “só uma cama” é utilizado.

Capa de Teto para dois, da editora Intrínseca, um exemplo de obra na trope “só uma cama”.|12|
Capa de Teto para dois, da editora Intrínseca, um exemplo de obra na trope “só uma cama”.|12|
  • Salvação pelo amor

O poder do amor transforma ou redime algum personagem, soluciona algum conflito ou vence o mal. Um exemplo na literatura brasileira é o romance O Cabeleira, de Franklin Távora. Nessa obra, o bandido Cabeleira é inspirado a se tornar um homem melhor devido ao amor de Luisinha, a qual, infelizmente, tem um final trágico.

Já a literatura portuguesa conta com Amor de salvação, de Camilo Castelo Branco. Nesse romance, Afonso entrega-se ao vício após ser enganado por Teodora (a mulher por quem era apaixonado). Mas, no decorrer da história, é regenerado (encontra o caminho da virtude) pelo amor de sua prima Mafalda.

Capa de Amor de Salvação, um exemplo de obra na trope “salvação pelo amor”.|13|
Capa de Amor de Salvação, um exemplo de obra na trope “salvação pelo amor”.|13|
  • Amor não correspondido

Um personagem é apaixonado por outro, mas tal amor não é correspondido. Na maioria das vezes, o ser amado nem sabe que é alvo da paixão de alguém. Por exemplo, em O corcunda de Notre-Dame, do escritor francês Victor Hugo, o personagem Quasímodo é apaixonado pela bela Esmeralda, mas tal amor é impossível.

Capa de O corcunda de Notre-Dame, um exemplo de obra na trope “amor não correspondido”.|14|
Capa de O corcunda de Notre-Dame, um exemplo de obra na trope “amor não correspondido”.|14|

No romance português Amor de perdição, de Camilo Castelo Branco, o par romântico é Simão e Teresa. Um amor impossível e com final trágico. Porém, existe também a personagem Mariana, que, em segredo, é apaixonada por Simão e também tem um final trágico. Dá vontade de chorar só de lembrar dessa história!

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  • Identidade secreta

Um personagem finge ser outra pessoa enquanto mantém uma identidade secreta, ou mesmo assume uma nova identidade e oculta a antiga. Esse o caso de O conde de Monte Cristo, do escritor francês Alexandre Dumas. Nessa obra, o marinheiro Edmond Dantès é preso injustamente. Tempos depois, ele ressurge como o conde de Monte Cristo para se vingar dos antigos inimigos.

Capa de O conde de Monte Cristo, da editora Martin Claret, um exemplo de obra na trope “identidade secreta”.|15|
Capa de O conde de Monte Cristo, da editora Martin Claret, um exemplo de obra na trope “identidade secreta”.|15|

Outro romance francês com esse trope é Os miseráveis, de Victor Hugo. Nesse livro, Jean Valjean é condenado às galés (trabalhos forçados) por roubar um pão. Após 19 anos de prisão, ele é libertado, mas permanece socialmente estigmatizado. Assim, assume nova identidade e enriquece, tornando-se o respeitável Madeleine. Porém, o implacável inspetor Javert quer desenterrar o passado do ex-prisioneiro.

Leia também: O que é uma fanfic?

Para que servem os tropes?

Os tropes literários servem para atrair o público leitor. Por isso, eles são recorrentes em obras de entretenimento. Tais obras buscam entreter a leitora e o leitor, ou seja, sua função é divertir, prender a atenção, distrair quem lê tal obra. Esse é o motivo de tais textos serem mais agradáveis e evitarem questões sociais ou elementos realistas.

O leitor de obras de entretenimento busca fugir da própria realidade ou da realidade de seu país. Portanto, esse tipo de literatura é alienante (estimula o desinteresse acerca da realidade). Não, não estou “jogando pedra” na literatura de entretenimento. Ela tem seu lugar, eu mesmo leio algumas obras do gênero de vez em quando.

O problema surge quando a pessoa só lê entretenimento e evita as obras críticas, que refletem sobre a realidade. Pois o entretenimento é muito sedutor, já que ele lida com nossas emoções e provoca em nós certo prazer. Assim, livros de entretenimento possuem uma “fórmula”, isto é, elementos que atraem nossa atenção e provocam prazer.

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Um desses elementos é o trope literário. O uso desses tropes no decorrer da história da literatura mostrou que eles são eficientes para atrair leitores. Por algum motivo (aí pergunte a psicólogos), nós gostamos de narrativas com determinados tropes. É por isso que eles se repetem em livros há séculos.

Mas é claro que uma obra crítica, de não entretenimento, pode utilizar tropes literários. Porém, nesse caso, o objetivo não é entreter, mas subverter o trope. Vou dar dois exemplos que vão deixar isso claro. O romance Dom Casmurro, de Machado de Assis, usa o trope “triângulo amoroso”, como já mencionei acima.

Se fosse uma obra de entretenimento, esse trope serviria para despertar a emoção de quem lê o romance a partir de todas as situações que o triângulo amoroso desencadearia. No entanto, Machado de Assis problematizou o triângulo amoroso. E como ele fez isso? Ele colocou o possível triângulo em dúvida, tornou-o uma possibilidade.

Assim, nós leitores precisamos lidar com o incômodo da incerteza e refletir a respeito, em vez de apenas sentir emoções. O mesmo Machado de Assis subverteu o trope “cientista maluco” na novela O alienista. A partir do personagem Simão Bacamarte, o autor faz crítica social, ao mostrar os excessos “científicos” e a realidade de seu tempo.

Percebeu por que Machado de Assis é o melhor? Ele não busca agradar quem lê suas obras. Mas a literatura de entretenimento quer sempre agradar. Em função disso, usar tropes já conhecidos e bem-sucedidos é uma forma de manter presa a atenção do público leitor e sua fidelidade ao gênero.

Os tropes têm poder de atração. Afinal, quando uma leitora lê a sinopse de uma obra, ela logo identifica o trope. Como é algo já conhecido pelo leitor, ele, ao saber da temática ou de características de personagens, sabe também do que se trata a obra. E, como tropes são mecanismos de atração, a leitora e o leitor vão buscar as emoções que eles sabem que lhe darão prazer.

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Créditos da imagem

|1| Editora Pandorga (reprodução)

|2| Editora Antofágica (reprodução)

|3| Editoria Intrínseca (reprodução)

|4| Editora Arqueiro (reprodução)

|5| Editora Companhia das Letras (reprodução)

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|6| Editora Darkside (reprodução)

|7| Editora Companhia das Letras (reprodução)

|8| Editora Princips (reprodução)

|9| Editora Lafonte (reprodução)

|10| L&PM Editores (reprodução)

|11| L&PM Editores (reprodução)

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|12| Editoria Intrínseca (reprodução)

|13| Mori Editora (reprodução)

|14| Companhia das Letras (reprodução)

|15| Editora Martin Claret (reprodução)

Fontes

COSTA, Manoela dos Santos da. The trope enemies to lovers: an analysis of Book lovers and Love, theoretically. 2025. TCC (Licenciatura em Letras) – Instituto de Letras, Universidade Federal do Rio Grande do Sul, Porto Alegre, 2025.

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VIEIRA, Ana Gabriela da Silva. Pedagogias do amor lésbico: discursos da literatura virtual. 2023. Tese (Doutorado em Educação) – Faculdade de Educação, Universidade Federal de Pelotas, Pelotas, 2023. 

Escritor do artigo
Escrito por: Warley Souza Professor de Português e Literatura, com licenciatura e mestrado em Letras pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG).
Deseja fazer uma citação?
SOUZA, Warley. "Tropes literários"; Brasil Escola. Disponível em: https://escolabrasil.webbfinanceiro.com/literatura/tropes-literarios.htm. Acesso em 13 de maio de 2026.
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